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Punto Cero

versão On-line ISSN 1815-0276

Punto Cero v.15 n.20 Cochabamba  2010

 

 

 

A Prática Comunícacíonal dos Blogs: Possíveís Contribuições para a Educação Contemporânea

 

La Práctíca de Blogs Comunícacíonales: Posíbles factores contríbuyentes a la Educación Contemporánea

 

 

Eduardo Fofonca.

Mestrando em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná. Foi professor Colaborador do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná e, atualmente, é Secretário Municipal de Educação e Cultura, em Matinhos, no Paraná, Brasil.

eduffk@bol.com.br

 

 


Resumo

As temáticas abordadas pelo sistema de comunicação dos blogs são múltiplas, (políticas, moda, turismo, música, cultura, educação). Na Educação, os blogs, têm sido adotados desde meados dos anos 2000. Nesse sentido, o objetivo é delinear mais profundamente a comunicação e a sua interface com a educação. Para tanto, observamos como os blogs podem reorientar caminhos da aprendizagem, contribuindo como prática comunicacional para a educação contemporânea.

Palavras chave: blog, comunicação digital, educação


Resumen

Las temáticas abordadas por el sistema de comunicación de los blogs, con múltiples, (política, moda, turismo, música, cultural educación). En la educación, los blogs, también han sido adoptados desde mediados de los años 2000. En ese sentido, el objetivo es delinear más profundamente Ia comunicación y su interface con la educación. Por tanto, observamos como los blogs pueden reorientar caminos de aprendizaje, contribuyendo como práctica comunicacional para la educación contemporânea.

Palabras clave: blog, comunicación digital,


Abstract

The themes addressed by the communication system of the blogs are multiple (political, fashion, tourism, music, culture, education). In Education, blogs, have been adopted since the mid-2000. In this sense, the goal is to delineate further the communication and its interface with education. To this end, we see how blogs can redirect paths of learning, contributing as a communicative practice for contemporary education.

Keywords: blog, digital communication, education


 

 

Introdução

Ao ligar o computador, as pessoas acessam a Internet. Uma tela se abre diante dos olhos daquele que vê na abertura de uma home page um ambiente tridimensional e interativo. Neste espaço se pode estudar, fazer uma leitura, entreter-se, ou ter informações nos vários níveis.

A partir desta interação, encontramos uma nova forma de viver com as tecnologias, a "vida digital". Esta nos direciona a descoberta das mediações, entre o real e o virtual. Deste processo se recriam novas linguagens e o processo comunicacional deste ambiente permite realizações humano-tecnológicas. Com objetivo educativo, pode-se dizer que há a construção de uma nova forma de interação, pois a educação faz a inclusão da mídia digital na contemporaneidade e, a partir dela, reconstrói o processo de ensino-aprendizagem. "Exposta na tela do computador, a escola virtual se apresenta pela sua imagem. Fluida, mutante, a escola virtual é um ícone de um novo tempo tecnológico do espaço educativo" (KENSKI 2004: 55).

A mediação proposta pela base tecnológica define novas estratégias de reconhecermos o conhecimento e a inteligência humana. Assim, deparamo-nos com inteligência imaterial, isto é, aquela que não existe como máquina, mas como linguagem. Para que essa linguagem pudesse ser utilizada em diferentes tempos e espaços, foram desenvolvidos determinados produtos e processos. Este processo se caracterizou como produção industrial da informação e trouxe uma nova realidade para o uso das tecnologias.

Novos meios de comunicação (mídias) foram sendo constituídos com foco na informação acessível de forma rápida, no entretenimento e também na construção de novos saberes vinculados a estes meios. Podemos considerar que os blogs são sistemas comunicativos com estas características, portanto, serão fontes de análise e reflexão para a construção de um pensamento acerca das interações entre os campos da comunicação e da educação.

 

1. Em busca da Relação: Educação e Comunicação

A comunicação e a sua interface com a educação tem sido tema de inúmeros estudos (BACCEGA 2000; CITELLI 2008), sobretudo, vem tomando uma proporção maior, devida a importância da educação

em se adaptar de acordo com as transformações sociais e tecnológicas. Deve-se reconhecer, portanto, o papel singular que os meios de comunicação passaram a exercer no mundo contemporâneo. Para tanto, devemos discutir a premissa de que os fluxos comunicativos e as práticas pedagógicas entram em confluência. Consideramos que a educação contemporânea apreende sua inter-relação com o campo da comunicação, pelo fato da atração dos media a partir do século XX.

A educação para a comunicação também vislumbra uma natureza virtual e visual da cultura contemporânea. Nesse sentido, os educadores precisam se apropriar de metodologias que desenvolvam no público discente a crítica relacional num universo audiovisual e virtual. Segundo Citelli (2002) "os novos cidadãos que estamos formando necessitam saber 'ler e interpretar' o que vêem e também produzir e se expressar em meio audiovisual e virtual". (CITELLI 2002: 119). Assim,

Toda comunicação envolve conflito, poder, ideologia, negociação e nossas crianças precisam aprender a lidar com essas coisas com competência. Numa abordagem mídia-educacional, as linguagens a as tecnologias da comunicação são instrumentos que constroem o pensamento e as formas de diálogo coma realidade, sendo fundamentais para a constituição do indivíduo, das comunidades e da cidadania. Não são luxo ou alternativa educacional supérflua, mas direitos prioritários dos cidadãos que vivem na era da informação e do conhecimento. (MONTEIRO & FELDMAN 1999: 21).

Esta reflexão torna-se um ponto de partida que amplia a discussão acerca da Educação para as Mídias, encaminhando o rompimento com modelos tradicionais de comunicação docente e nos enredam à gestão de processos comunicacionais, tendo a escola como um mundo complexo de comunicação, repleto de conexões internas e externas e, sobretudo, que a área de gestão de processos comunicacionais está presente, nos sistemas de meios e, muitos deles, são projetos com fins educativos.

Castells (2001), no começo do século XXI, preconizava a incapacidade do sistema educativo tradicional de introduzir os estudantes nessa nova gama de opções e plataformas tecnológicas. Para o autor, além de estrutura financeira, seria necessário estimular uma cultura de inovação e de uma forte identidade, como estímulo social. A cultura da inovação compreende-se, "como um sistema criativo de corte artístico que realiza performances ou outro tipo de manifestações baseadas nas formas". (CASTELLS 2001: 65).

Esta mudança se reflete numa nova sociedade. A absorção por parte dos jovens e crianças, ainda é de difícil assimilação por parte de alguns professores. Contudo, existem novas formas decomunicação que, cada vez mais, encontram adeptos. Estas novas formas de comunicação vão de uma simples mensagem de texto enviada por celular até o Messenger, blogs, fotologs.

Já Castellón & Jaramillo (2005) quando tratam de uma sociedade da informação esclarecem que a universidade perdeu o monopólio do conhecimento e o professor deixou de ser a única forma de sabedoria e informação. A constatação destes pesquisadores nos mostram que os alunos participam de outras comunidades que fornecem formas e diferentes tipos de informação, saberes e formas de se relacionar com o mundo, como é o caso do Orkut, You Tube, My Space, Twitter ou dos blogs.

Nesse sentido, pode existir uma lacuna entre informação e conhecimento,

Que não está sendo preenchida nem levada em consideração pelo sistema educativo. Trata-se do fato de algumas disciplinas em nível universitário -independente do fato de fazerem parte (ou não) da convergência midiática - não conseguirem produzir sentido aos alunos. Além de não compreenderem o conteúdo apresentado, os jovens nem sequer conseguem aplicar à sua vida cotidiana o instrumento ou conhecimento apresentado. Isto é, há uma grande dicotomia entre teoria e prática. (CASTRO & BARBOSA FILHO 2008: 86).

Diante disso, para que estes posicionamentos teóricos sejam discutidos torna-se relevante refletir com questões que mostram que a Educação brasileira tem sua história constituída a partir das várias tendências engessadas, sendo uma das poucas ciências que se "cristalizou". Essa caracterização "cristalizada" define bem a educação com modelos tradicionais em que, reflexivamente, percebemos que os padrões de estruturas e funcionamento das escolas pouco mudaram; os conceitos na educação continuam os mesmos; as carteiras escolares com suas cadeiras continuam sempre dispostas na sala de aula da mesma forma.

A preocupação da educação, ao longo de sua história, sempre foi assegurada com as competências que o aluno deve possuir para se efetivar como cidadão na sociedade. Todavia, a grande preocupação das ciências, de um modo geral, é com as habilidades e competências que o sujeito necessita para ser assegurado e incluído, dominando saberes para "enfrentar" a sociedade. Estas formas de saber são denominadas como "habilidades do século XXI", com as novas exigências impostas pelo estilo de sociedade que concentra seu desenvolvimento na contemporaneidade, a partir das tecnologias de informação e comunicação.

Segundo Demo (2008),

Esta expressão - "habilidades do século XXI" -tornou-se comum nas discussões em torno dos novos desafios impostos pelo estilo de sociedade e economia intensivas de conhecimento e informação, puxadas freneticamente pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Embora haja muita fantasia e retórica em torno em torno da virada do milénio, o que existe de mais concreto é o advento de modos de viver e produzir que nos lançam novos desafios, exacerbados, entre outras coisas, pela pressa das inovações tecnológicas. (DEMO 2008: 5).

A importância de estes novos saberes a sociedade exige novas habilidades das pessoas. Alguns autores (DEMO 2008; TÔNUS 2008) descrevem que estas exigências se desdobraram de novas alfabetizações, na aquisição de conhecimento. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, sobretudo, da comunicação digital, o computador passou a ser um elemento central na vida e nas aprendizagens humanas, como também passou a ser um importante veículo de difusão na sociedade aprendente'. As mudanças culturais e sociais, assim, criaram novas educações para repensar a sociedade e, por consequência, poder possuir outras fontes e métodos na aquisição de saberes.

 

2. O Compartilhamento de Informações nos Blogs de Educação

Segundo Freire (2002) o compartilhamento de informações configura um processo interacionista necessário à aprendizagem. Este processo pode ser um compartilhamento entre os próprios educandos, ou na relação entre aluno/professor, tendo-o em qualquer forma de relação ao compartilhar um novo processo de construção do conhecimento.

É preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une. É preciso substituir um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento complexo, no sentido originário do termo 'complexus': o que é tecido junto. (MORIN 2004: 18).

Para Morin (2004) qualquer cultura ou sociedade deve preocupar-se com o conhecimento humano, seus dispositivos, suas enfermidades, suas dificuldades, suas tendências ao erro e à ilusão. Nesse sentido, verifica-se que a experiência da participação de alunos em programas de inclusão digital é fundamental para uma aprendizagem significativa. Essa constatação é feita, a todo o momento, por educadores que lidam com alunos que possuem e não possuem acesso à Internet, comparativamente. Estes verificam que a rede, além de facilitar o acesso à informação, ainda estimula a pesquisa.

Com o acesso à Internet, o aluno passa a escrever melhor os textos e ler com multiplicidade seu mundo. Os blogs, que surgiram por acaso, acabou sendo um sistema comunicativo que estabelece relações textuais, linguísticas e, sobretudo, hipertextuais entre os produtores, o processo produtivo e a recepção das mensagens.

Conforme Quadros (2005) o surgimento da comunicação dos blogs se intensificou ainda mais a partir de dezembro de 1997, quando o norte-americano John Barger utilizou a palavra Weblog, pela primeira vez, para descrever sites pessoais que permitissem comentários e fossem utilizados com frequência.

Atualmente, os blogs, além de serem ambientes virtuais para expor ideias, também são espaços para estabelecer contatos e podem ser utilizados como ferramenta de trabalho para professores e pesquisadores na troca de conhecimento. Como exemplo dos blogs educativos de divulgação científica, com características de um forte canal de conhecimento, produção e recepção de mensagem, citamos o Blog da Comunidade de Divulgação Científica da Universidade de São Paulo. Nos blogs de divulgação científica encontramos artigos ou trechos de capítulos de livros que podem servir de fundamentação para pesquisas. Este processo de democratização do acesso à informação, redimensiona quem acessa o blog, de forma rápida, ao conhecimento.

Outro blog a ser comentado, Na Mira do Leitor", de Doralice Araújo, professora de Língua Portuguesa -http://oglobo.globo.com/blogs/educacao/, tem como público vestibulandos. O Wogveicula-se aos meios mainstream e têm o objetivo propiciar, rapidamente aos interessados em cursar universidade públicas e particulares com os vestibulares mais concorridos do país, motes, enunciados e dicas para a construção da textualidade na prova de redação.

Nesse contexto, vale ressaltar que o blog proporciona o contato com os pares e, ao mesmo tempo na educação, facilita o contado com os alunos, professores ou pesquisadores que navegam em busca de conhecimento e na circulação da informação mais livre e rápida, tanto para o foco específico, como para a comunidade externa. Por isso, torna-se de grande importância os programas sociais, que insiram os jovens na cultura das mídias.

No caso das TIC, elas representam, mesmo que ainda com acesso limitado, uma via de comunicação e educação que não pode ser ignorada, à medida que ambas as áreas estão em constante interação, uma servindo à outra, tanto na academia, quanto no cotidiano da sociedade. (TONUS 2008: 243).

Para tanto, a história da educação nos meios de comunicação perpassa a educação formal (educação à distância, a utlização de multimeios no contexto sala) ela está presente continuamente na formação do sujeito que interage com os meios nas possibilidades cotidianas. As TICs apresentam uma importante mediação nos processos de aprendizagem, o "estar junto virtual2" e aprendizagem autodirigida'" têm papéis híbridos no face à face e na virtualização; sendo, portanto, possibilidades para melhorar a educação e o processo de ensino.

Neste ínterim, é relevante refletir sobre aprendizagem no processo de ensino:

Aprendizagem é um processo em anel retroativo-recursivo que transgride a lógica clássica, em direção a um nível cada vez mais integrado ao todo. Esse conceito de aprendizagem não visa a acumulação de conhecimentos pelos alunos, mas pretende que estes dialoguem com os conhecimentos, reestruturando-se e retendo o que é significativo (SANTOS 2005: 08).

Portanto, educador é fazer com que crianças, jovens e adultos dialoguem com o conhecimento. Esta lógica nos faz reconhecer que, nada mais presente no cotidiano de todos, do que a própria tecnologia, o meio digital e, neste sentido, também os processos comunicacionais. Cabe, neste viés, para que se concretize a transgressão da lógica clássica de aprendizagem (o pensamento humano a partir do diálogo com o conhecimento), as formas de educação, seja formal, informal ou não-formal interajam com este meios -mídia digital, em especial os blogs.

Assim, o campo de inter-relação Comunicação/Educação legitima-se como importante campo interdisciplinar de ação e reflexão frente ao desenvolvimento das novas tecnologias da comunicação e da informação, do deslocamento da escola como fonte privilegiada do conhecimento, enfim, da construção de uma sociedade aprendente.

 

4. Blogs e Educomunicação

A proposta pedagógica que preconizava uma leitura crítica propõe um receptor ativo e crítico diante dos conteúdos veiculados pelos meios de comunicação de massa. Na perspectiva de BACCEGA (2002), CITELLI (2000) e SOARES (2002), este seria a origem do termo Educomunicação. Para tanto, conforme Soares (2002) o conceito de Educomunicação:

O conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais, assim como a melhorar o coeficiente comunicativo das ações educativas, incluindo as relacionadas ao uso dos recursos da informação no processo de aprendizagem. (SOARES 2002a: 115).

Este pensamento visa a qualidade das relações interpessoais no processo, visto que tem se considerar que tem-se seres humanos que estão interagindo, é de extrema relevância para o estudo da educomunicação.

Baumgartner (2004) nos revela que os blogs têm um potencial intrínseco para revolucionar a estrutura organizacional dos entornos tradicionais do ensino. Para o autor, o diferencial é permitir controlar o nível de abertura desejado, facilitando sua integração nas instituições educativas em relação a outros sistemas de gestão de conteúdo mais abertos, como é o caso específico dos wikis, que podem produzir desconfiança. O autor ainda esclarece que há uma vantagem de seu caráter exógeno em relação ao espaço educativo, mesmo porque é construído através de hiperlinks na Rede e não dependem exclusivamente de um servidor único centralizado.

Observa-se, na maioria das experiências educativas com blogs, que a sua criação atinge os objetivos essenciais do aprender a aprender. A tecnologia se insere não numa reprodução de ensino tradicional, mas com traços de modernidade, que permanentemente reconstroem conhecimentos. Podemos compreender que as ações educomunicativas se dão através da atividade educativa e formativa. São inúmeras as ações que fortalecem a educação. Este fortalecimento se dá por meio de alternativas inerentes às transformações sociais, tendo em vista que a sociedade está em constante mudança e a educação e o ensino também devem se transformar. Diante disso, torna-se relevante compreender como é esta relação dialogai entre as duas áreas:

A área da educação para a comunicação alimenta-se dos estudos da recepção e volta-se para as reflexões em torno da relação entre os pólos vivos do processo de comunicação (relação entre os produtores, o processo produtivo e a recepção das mensagens), assim como, no campo pedagógico, para os programas de formação de receptores autónomos e críticos frente aos meios (SOARES 2002: 117).

Esta conexão entre as duas áreas promoveu uma mudança na pedagogia, assim nasceu a educação para os meios. Um dos protagonistas que instaurou um ambiente para pensar sobre as sociedades mediatizadas tecnologicamente foi e tem sido Jesus Martin Barbero. O pesquisador trouxe o debate da perspectiva cultural das relações comunicacionais, trabalhando a temática "ecossistema comunicativo".

Ciltelli (2000) introduz uma indagação e repensa o processo educativo. O autor dá ênfase a velocidade das linguagens midiáticas e questiona: "Como pensar o sistema educacional, a escola, o discurso pedagógico exercitado nas salas de aula, considerando esse mundo fortemente mediado pelas relações comunicacionais, na sua dupla face de sedução e desconforto?" (CITELLI 2000: 16). Mesmo ainda com duas realidades em conflito: uma com uma visão ainda de uma educação tradicional, que vê as mídias TICs como utópicas e conflituosas por não compreenderem sua aplicabilidade no sistema educacional e, por outro lado, há aqueles que vêem somente nas relações educomunicativas um fortalecimento da educação no presente e futuro.

 

5. Considerações finais

Os tempos são de novas sociabilidades e sensibilidades que vem se ampliando desde o começo do século XXI. Nesse sentido, poderíamos dizer que são novas formas de se comunicar, de estar e sentir o mundo. Na sociedade contemporânea, as tecnologias digitais têm como principal referência a virtualidade.

Nesse sentido, verificamos que inúmeros autores (BACCEGA 2000; CITELLI 2008; TÔNUS 2008) que possuem posturas teóricas que buscam constituir pesquisas atentas aos sistemas dos meios, partindo da mesma concepção em que verifica na informação uma possibilidade de recepção crítica para crianças e jovens. Nesta análise das competências da comunicação, em outro campo, o da educação, reconheceu-se que a preocupação está centrada em instrumentos que constróem um pensamento de novas formas de diálogo com a realidade.

Para tanto, com a ilustração em tela, com os blogs com fins educativos e a mídia digital, sendo notoriamente fundamentais para a constituição de cidadãos que vivem na sociedade. Levando isso em consideração, constatou-se que os meios vão se estruturando conforme as necessidades de uma sociedade aprendente, que reorienta novos caminhos da aprendizagem (educação informal e não formal).

Estes novos caminhos acabam por se transformar em suportes na educação, fazendo que a intersecção das áreas da comunicação e da educação não entrem em conflito ou desconforto, como preconiza Citelli (2008), mas reoriente uma perspectiva que ascende num novo olhar entre os processos educativos e as práticas comunicacionais para o bem comum de uma sociedade aprendente.

 

Notas

1. Hugo Assmann utiliza o termo para designar uma Educação que possui um único rumo, o de uma sociedade Aprendente. Para o autor, os sujeitos aprendem, na contemporaneidade, com novas formas de educação, que vão se adaptando/adequando com uma nova sociedade. Para saber mais ler ASSMANN, H. Reencantar a Educação -rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998.

2. Termo utilizado por Tônus (2008) para designar que o processo de aprendizagem on-line. Para a autora mesmo sendo a distância também pode estar junto.

3. Segundo o dicionário interativo de Educação brasileira, a expressão aprendizagem autodirigida tem sido utilizada como uma característica do indivíduo sintonizado com as rápidas transformações do mundo contemporâneo e no que se configurou dizer "aprender a aprender" e reconstruir permanentemente conhecimentos. A internet tem sido considerada, nesse contexto, ferramenta essencial na aprendizagem autodirigida.

 

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Recepción: 25/08/2009

Aprobación: 22/12/2009

 

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